Kito Mansano fala dos negócios da Copa e do achatamento de taxas e baixa remuneração

O presidente da Rock e da Ampro diz que a Copa não ampliará a atividade no setor e que muitas empresas não querem vincular a marca ao evento; ele reclama também da forma aviltante com que algumas agências s e clientes têm trabalhado, em prejuízo de todo o setor.

No final do ano passado, o empresário Kito Mansano, presidente da Agência Rock (especializada em eventos, promoção e campanhas de incentivo) e da Associação do Marketing Promocional (Ampro), declarou que a realização da Copa do Mundo no Brasil não traria assim tantos negócios para o segmento. Ao contrário, ele disse que o movimento em relação a 2013 poderia ser ainda menor. Agora, decorridos praticamente 3 meses do ano e a 80 dias da realização da Copa, Kito mantém suas previsões: “Na minha opinião, a movimentação do mercado, fora das empresas patrocinadoras, continua ruim em relação às ações da Copa do Mundo”.

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Segundo ele, o volume de negócios em eventos, campanhas de incentivos e promoções se mantém no mesmo volume do ano passado e isso pode diminuir próximo à Copa do Mundo, “pois alguns clientes vão guardar seus investimentos para o momento mais oportuno”. Na sua avaliação, as crescentes críticas à realização do evento, as manifestações, criam nas empresas o temor de vincular a imagem a algo com potencial negativo em termos de opinião pública.
Na sua agência, a Rock, as atividades estão dentro das expectativas: “O ano começou bastante agitado, mas não nos deixamos levar pelo momento de euforia. Passados três meses, fecharemos o trimestre com 90% da meta projetada, o que não é ruim para um início de ano com carnaval em março. Dentro dessa conjuntura estamos felizes com o desempenho”. No ano passado, a Rock fechou com faturamento de R$ 92 milhões. “Mas, vale ressaltar, trabalhamos como se fossemos faturar R$ 200 milhões. Isso reflete o momento que o mercado está vivendo. Por conta dos achatamentos de taxas e baixa remuneração, estamos trabalhando mais para faturar menos. Essa não é uma realidade específica da Rock, mas de todo o setor”.

Para 2014, a expectativa do empresário é crescer 10%, a partir e uma estratégia de trabalho que procura oferecer o melhor custo benefício ao cliente e atuar em todas as possibilidades de negócio que favoreçam a imagem desses clientes. “Nosso objetivo é nos manter saudáveis, com caixa para operar megaeventos e grandes campanhas. Para isso, temos que ter clientes preocupados em contratar a Rock para atingir suas conquistas e não como um financiador de orçamentos a custo zero. No nosso segmento temos de todo o tempo estar atentos para não fazer esse papel. Se o cliente esta com a Rock, tenha certeza de que se trata de um cliente com governança corporativa. Este ano de 2014 procuraremos focar neste tipo de perfil”.

De acordo com Kito Mansano, alguns clientes insistem em tirar o máximo da receita das agências, chegando ao ponto de proporcionarem riscos para a entrega dos trabalhos. “Esta forma de negócio vai ficar insustentável, não se consegue deixar uma agência sadia com remuneração abaixo de 15%. Isso é questão de responsabilidade. Por isso empresas levianas não podem se tornar as referências de mercado”. Kito diz que esta é atualmente a maior bandeira das empresas de live marketing: “Somos parceiros estratégicos e queremos ser reconhecidos por isso. Nosso trabalho é especializado e tem um alto valor agregado. Isso tem de ser premissa de todo empresário sério do nosso setor. Os donos de agência não podem se curvar a prazos absurdos de pagamentos e muito menos a taxas que mal cobrem os impostos”.

Reforçando essa análise, Kito Mansano diz que o maior problema do setor é que “algumas agências necessitam de faturamento para fazer a máquina girar e se sujeitam a qualquer remuneração, uma atitude que faz apenas adiar o fim de suas atividades”.

Na outra ponta dessa relação, explica o presidente da agência Rock e da Ampro, está o profissional de marketing. “Temos um número muito grande de jovens profissionais que ainda não se tornaram independentes e evitam correr riscos. Ter sucesso em uma campanha implica assumir riscos, mas a falta de coragem torna o profissional mais fraco e em consequência menos valorizado”. De acordo com Kito, felizmente há muitos jovens se destacando, justamente por demonstrarem a coragem de assumir os riscos. “É esse perfil de jovem se deu conta, por sua inteligência, que é preciso ter uma agência como parceira, ao seu lado, que justamente o ajude a minimizar estes riscos, garantindo o melhor resultado. Estes, com certeza, são jovens talentos que não estão preocupados em ‘pagar pouco’, mas sim ter o melhor a um preço justo”.

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